A NOVA ERA DA ENERGIA


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Uma nova era para a energia

Em 30 anos será preciso dobrar a produção de energia no planeta. Os três projetos deste especial mostram como empreendedores em busca de novas fontes energéticas já estão desenhando o futuro

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uanta energia você está gastando para ler esse texto?
E não estamos falando somente da bateria do seu computador ou celular. Basta olhar ao seu redor: tudo o que você vê é resultado do consumo de energia.

Para acordar, você precisou de um despertador. O café não ficou quente sozinho. Todos os dias milhões de pessoas se locomovem nos grandes centros de casa para o trabalho consumindo quantidades estratosféricas de energia. Imagine, por exemplo, o quanto você já consumiu desde que nasceu – inclusive na hora do nascimento.

Em 2050 seremos 9 bilhões de pessoas. Neste cenário não muito distante serão necessários 75% mais energia do que usamos agora. Ao mesmo tempo, ainda há mais de 1,2 bilhão de pessoas que ainda não têm acesso a recursos energéticos básicos. As fontes atuais estão se esgotando, deixando marcas no meio ambiente.

Nossa sorte é que há muita gente pensando nisso. São empreendedores e engenheiros cheios de criatividade e paixão que acreditam no poder e na eficiência de fontes alternativas de energia. Hoje já podemos garantir luz através do sol e até pela gravidade. A partir de ideias como essas, surgem novos projetos e estudantes com soluções para tornar o mundo mais sustentável e, com isso, traçar um futuro promissor.

“Muitos de nós não sabemos o quanto de energia usamos. A energia está ao nosso redor. A tecnologia nos oferece um caminho em que as pessoas podem fazer parte desse processo”

Laurence Kemball-Cook, engenheiro de design industrial e vencedor do Shell LiveWIRE.

Empreendedores
criam start-up para
levar energia
a comunidades
do Rio de Janeiro
INSOLAR
A ENERGIA DO SOL
É PARA TODOS

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360 metros de altitude no ponto mais alto do Morro Dona Marta, na zona sul do Rio de Janeiro, a vista é incrível. Pão de Açúcar, Lagoa Rodrigo de Freitas, Cristo Redentor e até o Maracanã, todos a um só olhar.

O Dona Marta é iluminado pelo sol o ano inteiro. E, já que é assim, faz todo o sentido aproveitar os raios solares para a geração de energia limpa e sustentável. Foi nesse cenário que o empreendedor carioca Henrique Drumond, com o sócio Michel Baitelli, implantou o projeto da start-up Insolar, em parceria com a Shell. A ideia é fornecer acesso à energia solar para comunidades de baixa renda, “e elevado potencial humano”, como define Henrique, que trocou uma promissora carreira corporativa por um ano sabático. Cogitou fazer um MBA nos Estados Unidos, mas preferiu uma temporada de três meses como voluntário em Moçambique.

Com a Insolar, que promove a democratização do acesso à energia solar no Brasil, Henrique foi premiado no Shell Iniciativa Jovem, programa que capacita talentos para transformar ideias em negócios reais, com foco na sustentabilidade. A Insolar tornou-se a primeira start-up no mundo a ser apoiada pela aceleradora Shell #makethefuture.

MÃO NA MASSA (E NA LUZ)

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projeto piloto da Insolar foi realizado em uma creche na comunidade Santa Marta. Hoje, graças ao suporte dos moradores da região e ao #makethefuture, a start-up expandiu sua atuação. Os primeiros painéis começaram a ser instalados este ano e sete locais já foram beneficiados. A creche Mundo Infantil, que atende 60 crianças da comunidade, é um deles. Para a instituição, fundada há 32 anos, a economia será muito bem-vinda.

"O custo mensal da luz pesa em nosso orçamento. Poderemos usar esse dinheiro para outras necessidades", diz Adriana Maria da Silva, presidente da creche. As placas devem gerar uma economia superior a 2 000 reais por ano, quantia significativa para o orçamento apertado da instituição. Nos próximos meses, outros pontos da comunidade Santa Marta serão beneficiados pela instalação dos painéis solares.

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BUSCA POR PROPOSTAS COMO A DA INSOLAR ganha novo fôlego com a campanha global #makethefuture, promovida pela Shell. Seu objetivo é apoiar empreendedores com ideias inovadoras na área de energia e ajudá-los a alavancar seus negócios. "O futuro exigirá um mix de energias. A demanda é cada vez maior à medida que a população mundial aumenta e melhora o seu padrão de vida. É importante apoiarmos iniciativas brilhantes na área de energia", afirma Malena Cutuli, líder global de marca e comunicação da Shell

Imagine chegar
em casa à noite
e descobrir que
está sem luz.
O que você faz?
GRAVITYLIGHT
TIRANDO LUZ DE PEDRA

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e você é uma das mais de 6 bilhões de pessoas no mundo que têm acesso à rede elétrica, a situação provavelmente significa um estorvo, mas nada de muito grave. Mas... e se você não tivesse acesso à rede elétrica? E se você vivesse sem eletricidade e conviver com a escuridão fosse uma questão diária? Essa é a realidade enfrentada por cerca de 1,1 bilhão de pessoas no mundo que não estão conectadas a nenhum sistema de eletricidade – ou uma em cada sete, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação é especialmente séria na África Subsaariana, na Índia e nas regiões em desenvolvimento da Ásia. Juntos, esses locais concentram 95% da população sem acesso a qualquer tipo de sistema elétrico. E o problema é, provavelmente, ainda maior, já que os relatórios tradicionais desconsideram que muitas redes elétricas instaladas são muito pouco confiáveis, e não funcionam de fato.

1,1 bilhão de pessoas vivem sem acesso à rede elétrica no mundo

Clique nos pontos do mapa para descobrir

A VIDA NO ESCURO

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em acesso garantido à eletricidade, é preciso pensar em outras alternativas para manter algum grau de vida funcional à noite – já tentou estudar, trabalhar, se alimentar ou até se comunicar no completo breu?

Uma das opções mais populares é a queima de querosene, como um lampião adaptado. O querosene ajuda – e é a única solução para muitas famílias – mas pode causar uma série de problemas:

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ara ajudar a melhorar a situação, não basta sair distribuindo lanternas e baterias por aí. É preciso pensar em uma solução simples, sustentável e acessível. A ideia que mudaria este panorama apareceu em 2009. Jim Reeves e Martin Riddiford, dois designers de produto do Reino Unido, chegaram à conclusão de que a solução não envolvia baterias nem painéis solares, elementos que encarecem qualquer projeto, mas sim uma fonte de energia universal – e gratuita: a gravidade.

Quanto um carro pode percorrer com um litro de combustível? Esse é o desafio que a Shell Eco-marathon propõe a universitários de todo o mundo. Pela primeira vez no Brasil, a competição reuniu 36 protótipos ultraeficientes. ECO-MARATHON:
UMA MARATONA
DE EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA

ASSISTA AO VÍDEO DO ECO-MARATHON

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m 2050, seremos mais de 9 bilhões de pessoas no mundo. Desse total, 6 bilhões viverão em cidades, segundo projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), e necessitarão de 75% mais energia do que atualmente. O número de carros em circulação também tende a dar saltos e pode alcançar 2 bilhões em 2035, muitos deles rodando com baixas taxas de ocupação. “Pesquisas revelam um índice inferior a 1,1 pessoa por carro nas grandes cidades brasileiras. Veículos capazes de transportar até cinco pessoas circulam com capacidade muito inferior, tornando o trânsito caótico”, afirma Samuel Bassani, estudante de engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina. A poluição do ar é outro efeito do excesso de carros nas cidades. Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que 92% da população mundial vive hoje em lugares em que a poluição do ar excede os limites aceitáveis e cerca de 3 milhões de mortes por ano estão relacionadas diretamente com a poluição.

Esses dados mostram que há uma necessidade urgente de estimular as discussões sobre o futuro da mobilidade, a eficiência dos combustíveis e a qualidade do ar. A boa notícia é que estudantes universitários de todo o mundo estão trabalhando para desenvolver protótipos de veículos capazes de percorrer até 300 quilômetros com apenas um litro de combustível.

Esses protótipos ultraeficientes participaram, entre 8 e 10 de novembro, da Shell Eco-marathon edição Challenger Event, etapa regional de uma competição global que aconteceu pela primeira vez no Brasil. Equipes de universitários disputaram, com os veículos que projetaram e construíram, uma corrida cujo desafio é percorrer a maior distância gastando a menor quantidade possível de combustível. Foram três as categorias: gasolina, etanol e bateria elétrica.

Times de 23 universidades brasileiras de diversos estados colocaram seus carros na pista do Kartódromo Granja Viana, em Cotia (SP). “A palavra que define a competição para nós é superação”, afirma Maurício Kusbick, integrante da equipe Pé Vermelho Racing, que estreou na competição já com vitória, na categoria gasolina.

CONHEÇA OS VENCEDORES

ECOVEÍCULO

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Correndo na categoria bateria elétrica, o EcoVeículo alcançou uma velocidade de 139,36 km/kWh. Só para efeito de comparação: isso equivale a percorrer a distância com a mesma energia que gastamos em um banho de dez minutos. A equipe da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais, já é uma das veteranas da Shell Eco-marathon. Em 2014, o time conquistou a terceira colocação, também com um protótipo movido a bateria elétrica, na competição realizada em Houston (Estados Unidos). Em São Paulo, o EcoVeículo disputou com outros 11 participantes.

PÉ VERMELHO

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Pela primeira vez na competição, a equipe Pé Vermelho Racing é formada por universitários do campus de Medianeira da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O protótipo que o time projetou e construiu fez incríveis 190,2 km/l de gasolina. O carro mais econômico vendido no Brasil roda 18 km com um litro de gasolina. A Pé Vermelho venceu a categoria mais disputada da competição, com 18 veículos inscritos. O protótipo da equipe foi construído em alumínio e policarbonato.

FENG ECO RACING

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Outra equipe novata, a Feng Eco Racing é formada por estudantes da PUC-RS. Eles construíram seu protótipo com fibra de vidro, o mesmo material utilizado nas indústrias aeronáutica e naval. O modelo fez 102,86 km/l de etanol e se mostrou valente. Enquanto vários carros perdiam eficiência em uma das subidas do circuito, o protótipo da Feng Eco Racing seguiu firme e forte. Foram sete os veículos que disputaram a categoria etanol.

Equipe Milhagem, da Universidade Federal de Minas Gerais, com o veículo que disputou a categoria gasolina na Shell Eco-marathon Brasil

Equipe da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, trabalha no protótipo antes da disputa da Shell Eco-marathon, no Kartódromo Granja Viana (SP)

Universitários ajustam protótipo que participou da primeira edição brasileira da Shell Eco-marathon, realizada no Kartódromo Granja Viana (SP)

Equipe Eco Octano, da Universidade Federal do Paraná, na Shell Eco-marathon Brasil

Equipe ajusta carro na Shell Eco-marathon, disputa que reuniu 36 protótipos de 23 universidades brasileiras no Kartódromo Granja Viana (SP)

Equipe IFC Eco Team, do Instituto Federal Catarinense, com um dos protótipos que participaram da Shell Eco-marathon, no Kartódromo Granja Viana (SP)

A equipe Ecofet, de Minas Gerais, disputou as categorias bateria elétrica e etanol na Shell Eco-marathon Brasil

Integrantes da equipe Pé Vermelho Racing, do campus Medianeira da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com o protótipo que venceu a categoria gasolina da Shell Eco-marathon

Protótipo da equipe Feng Eco Racing, da PUC-RS, vencedor da categoria etanol da Shell Eco-marathon, realizada no Kartódromo Granja Viana (SP)

O EcoVeículo, carro projetado pela equipe da Universidade Federal de Itajubá (MG), vencedor da categoria bateria elétrica da Shell Eco-marathon, no Kartódromo Granja Viana (SP)

Equipe Eficem, formada por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, que já ganhou vários prêmios na Shell Eco-marathon

A piloto se prepara para correr na Shell Eco-marathon, disputa de eficiência energética realizada pela primeira vez no Brasil

Veículo da equipe Eficem, da Universidade Federal de Santa Catarina, na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), na primeira edição brasileira da Shell Eco-marathon

Carro da equipe Pé Vermelho Racing, do campus Medianeira da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), na Shell Eco-marathon

O EcoVeículo, protótipo da equipe de estudantes da Universidade Federal de Itajubá (MG), deixa o circuito do Kartódromo Granja Viana (SP), onde aconteceu a Shell Eco-marathon

A piloto da equipe da Universidade Federal de Santa Catarina antes da prova no Kartódromo Granja Viana (SP), onde aconteceu a Shell Eco-marathon

Veículo projetado pela equipe da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, pronto para entrar na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), durante a Shell Eco-marathon

Protótipo da equipe GCEE, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), na primeira edição brasileira da Shell Eco-marathon

Veículo projetado pelos alunos da e³-Equipe, da Universidade Federal de Santa Catarina, na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), na Shell Eco-marathon

Carros na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), onde aconteceu a primeira edição brasileira da Shell Eco-marathon

Estudantes trabalham em protótipo que disputou a primeira edição brasileira da Shell Eco-marathon, no Kartódromo Granja Viana (SP)

O EcoVeículo, carro projetado pela equipe da Universidade Federal de Itajubá (MG), vencedor da categoria bateria elétrica da Shell Eco-marathon

Equipe ajusta protótipo a gasolina antes da disputa da Shell Eco-marathon, realizada no Kartódromo Granja Viana (SP)

O EcoVeículo, carro projetado pela equipe da Universidade Federal de Itajubá (MG), vencedor da categoria bateria elétrica da Shell Eco-marathon

Piloto se prepara para entrar na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), durante a Shell Eco-marathon

Equipe e piloto recebem instruções antes de o carro entrar na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), na disputa de eficiência energética Shell Eco-marathon

Piloto da equipe Bagual Racing, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, recebe informações no Kartódromo Granja Viana (SP), onde foi realizada a Shell Eco-marathon

Veículo na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), onde aconteceu a Shell Eco-marathon, que reuniu 36 protótipos de 23 universidades brasileiras

Carro da EcoVeículo no Kartódromo Granja Viana (SP), onde aconteceu a primeira versão brasileira da Shell Eco-marathon

Carro da equipe Feng Eco Racing, projetado pela equipe da PUC-RS, na pista do Kartódromo Granja Viana (SP). A equipe venceu a Shell Eco-marathon na categoria etanol

Protótipos de eficiência energética na pista do Kartódromo Granja Viana (SP), durante etapa brasileira da Shell Eco-marathon

Veículo da equipe Pé Vermelho Racing, do campus Medianeira da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, estreia na Shell Eco-marathon com vitória na categoria gasolina

O presidente da Shell Brasil, André Araujo (à frente, de preto), com os cerca de 300 universitários que participaram da Shell Eco-marathon, realizada pela primeira vez no país

Equipes durante a divulgação dos resultados da Shell Eco-marathon, disputa de eficiência energética que aconteceu no Kartódromo Granja Viana (SP)

Time da Pé Vermelho Racing, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, comemora vitória na categoria gasolina na Shell Eco-marathon, com a marca de 190,2 km com um litro

Equipe da PUC-RS comemora a vitória de seu protótipo movido a etanol, que fez 102,86 km com um litro, na primeira competição Shell Eco-marathon realizada no Brasil

Time da Universidade Federal de Itajubá (MG) comemora a vitória na categoria bateria elétrica da Shell Eco-marathon, que teve 11 protótipos na disputa

O presidente da Shell Brasil, André Araujo, durante a abertura da Shell Eco-marathon, que aconteceu pela primeira vez no país

Equipe da Universidade Federal de Itajubá (MG) festeja a vitória do EcoVeículo na categoria bateria elétrica, com a marca de 139,36 km/kWh

Time da Universidade Federal de Itajubá (MG) ganhou a Shell Eco-marathon na categoria bateria elétrica, disputada com outros 11 veículos

Equipe Pé Vermelho Racing, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, comemora a vitória na categoria gasolina na Shell Eco-marathon, disputada por 18 veículos